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Zona do crime, do mexicano Rodrigo Plá, levanta questões
sobre fenômenos sociais atuais
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Janaina Cunha Melo
EM Cultura
Morena Films/Divulgação

Longa tem ritmo policial temperado com intensidade
dramática
Zona do crime, primeiro longa-metragem do cineasta
mexicano Rodrigo Plá, chega ao Brasil depois de boa
acolhida da crítica internacional. Premiado nos
festivais de Toronto, Veneza e Cartagena, retrata uma
sociedade perversa, corrompida e acuada pelo medo.
Melhor seria que fosse mera ficção, mas, com o trabalho
(inspirado em conto escrito por ele e pela esposa Laura
Santullo), o diretor deixa o alerta: “Estes somos nós,
com o que temos de mais contraditório”. Com todas as
verdades que apresenta, com o mérito de não fazer
julgamentos, Rodrigo Plá encontrou a medida para tratar
de tema complexo.
Em vez de respostas, o cineasta coloca perguntas
fundamentais para o entendimento de fenômenos sociais da
contemporaneidade. A narrativa parte de um crime,
cometido por três adolescentes pobres, que invadem
condomínio residencial fechado na Cidade do México, para
furtar, e se envolvem no homicídio da dona da casa
arrombada. Em Zona do crime, não há justos ou vilões.
Apenas os vários lados de uma sociedade dividida por
diferenças econômicas, imersa no caos de uma polarização
social cada dia mais aguda e evidente nos grandes
centros urbanos. Alejandro (Daniel Tovar), adolescente
morador do complexo de classe média, sintetiza a
esperança do diretor de que é possível – e necessário –
acreditar na juventude como um caminho.
A direção do cineasta é agil como as produções
policiais, mas tem intensidade dramática para não cair
em armadilhas superficiais ou caricaturas. Narra os
acontecimentos com velocidade, envolvendo o espectador
na trama e, em certos momentos, parece pedir pela
intervenção de quem assiste, pelo grau de incomodidade
que provoca. Não é um filme suave, nem se pretende.
Rodrigo Plá tem intenção declarada de gerar polêmica,
reflexão, debater idéias, e faz do cinema arte
militante, com responsabilidade. Ele não levanta
bandeiras ideológicas e, por isso, seus argumentos não
soam panfletários. Discute com seriedade temas
importantes, que inquietam intelectuais de diferentes
formações.
le critica a barreiras físicas que dividem a sociedade e
a incapacidade dos indivíduos de se relacionar a partir
de suas diferenças – econômicas, sociais e políticas. O
cineasta também critica a impunidade, o poder econômico
em detrimento da ética, o conformismo e a lentidão
conveniente e permissiva dos mecanismos burocráticos.
Quando tudo parece conspirar contra o melhor, o pior de
fato acontece. Mas Zona do crime não é só desesperança e
violência. Cabe ao espectador o exercício de superar os
desafios que o filme escancara. |
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