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Filmes do argentino Héctor Olivera serão exibidos na
UFMG até 5ª feira
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Janaina Cunha Melo
EM Cultura
Jackson Romanelli/Especial para o EM

Temas políticos inspiram o cineasta Héctor Olivera, que
dirigiu o longa La Patagonia rebelde
A primeira vez que o diretor argentino Héctor Olivera
mostrou seu trabalho no Brasil foi em 1959, quando foi
exibido o filme O chefe, realizado em parceria com o
cineasta Fernando Ayala. Desde essa época, ele volta ao
país com a freqüência de quem valoriza o intercâmbio
internacional como ação de fortalecimento da produção.
“Estou sempre à disposição, por um sentimento de
obrigação profissional e moral. É lamentável como o
cinema latino-americano não é conhecido na América
Latina”, diz.
Quatro filmes de Olivera integram a mostra gratuita que
começa segunda (dia 05) na Universidade Federal de Minas
Gerais, a convite do Consulado da Argentina e da Direção
Geral de Assuntos Culturais do Ministério das Relações
Exteriores. No habrá más penas ni olvido, La noche de
los lápices, La Patagonia rebelde e Ay Juancito são
produções premiadas e representam síntese da estética do
cineasta veterano, que já explorou vários gêneros,
inclusive cômicos e musicais, ao longo de trajetória
iniciada aos 15 anos.
“Apaixonei-me pelo cinema nessa idade, não parei mais de
ler, pesquisar e produzir, mesmo nos períodos de
ditadura. Tive muitos projetos censurados”, conta. Os
quatro filmes evidenciam a personalidade contestadora do
diretor, que aborda temas políticos e sociais. Para ele,
essa é a maneira de oferecer ao espectador bom
entretenimento sem abdicar de temas importantes da
realidade.
Embora reconheça que muitas das questões tratadas em
seus filmes são comuns à América Latina, ele não
acredita na existência de uma estética que acolha a
diversidade – social, cultural e política – de todos os
países da região. “Nem na própria Argentina temos um
cinema único”, argumenta, lembrando as inúmeras
variantes, inclusive econômicas, que distinguem as
produções. “Os mais jovens também sofrem influência das
diferenças de condições econômicas. Eles precisam criar
com recursos muito inferiores às produções industriais e
isso repercute na criação”, diz.
A mostra está em cartaz desde anteontem, no Teatro Sesi
Mariana, e é também realizada no Cine Teatro Vila Rica,
em Ouro Preto. Está programada mesa-redonda no sábado,
no auditório Sônia Viegas, da Fafich, com participação
do cineasta e os convidados José Carlos Avellar
(Brasil), Juan Carlos Cremata Malberti (Cuba) e Eryck
Rocha (Brasil).
Programação
• Segunda (dia 05): No habrá más penas ni olvido, 19h.
• Terça (dia 05): La noche de los lápices, 12h; Ay
Juancito, 19h
• Quinta-feira: La Patagonia rebelde, 12h
Auditório da Faculdade de Letras da UFMG, Câmpus
Pampulha, Av. Antônio Carlos, 6.627. Entrada franca. |
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